Os Uruguaios vinham de dois títulos olímpicos, vencendo a Suíça na Olimpíada de Paris em 1924 e vencendo também a Olimpíada de Amsterdã em 1928. Isso os credenciou a ser oficializado como sede da 1º Copa do Mundo da FIFA, no congresso da entidade em Barcelona/1929.
A FIFA abriu o campeonato a todos os seus filiados, mas a Europa passava por uma enorme crise e a maioria dos países europeus não gostou da idéia de viajar quinze dias de barco até o Uruguai, ficar mais quinze jogando e depois mais quinze para voltar a Europa. As Federações não queriam enfraquecer suas competições nacionais por tanto tempo e os amadores não poderiam faltar tanto tempo ao serviço. Jules Rimet teve que intervir, pois dois meses antes do torneio nenhuma seleção européia havia confirmado a sua participação no torneio. Depois de muito esforço, Bélgica, França, Romênia e Iugoslávia confirmaram presença e partiram rumo ao Uruguai. Da América do Norte vieram EUA e México e da América do Sul, além do anfitrião Uruguai, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Peru formaram os 13 times da Copa do Mundo de 30.
No Brasil, a CBD (antecessora da CBF) não incluiu nenhum dirigente paulista na comissão que iria escolher os jogadores, causando uma briga entre paulistas e cariocas. Por causa disso, a APEA (Associação Paulista de Esportes Athleticos) decidiu não liberar seus jogadores para disputarem o Mundial. Entre esses jogadores, estava o craque Friedenreich, que acabou fazendo muita falta a nossa seleção. No fim, a seleção acabou formada apenas por jogadores cariocas e só um jogador paulista, Arakem. A CBD ainda decidiu levar como chefe da delegação Afrânio Costa, conhecido como Paraná. Ele havia conquistado a primeira medalha do país em olimpíadas, com a prata no tiro ao alvo nos Jogos da Antuérpia, em 1920. Uma escolha errada, pois Paraná não era muito entendido sobre futebol.
Quando as 13 seleções já estavam presentes em solo Uruguaio, foram definidos os grupos do Mundial. Eles ficaram assim:
Grupo 1: Argentina, Chile, França e México.
Grupo 2: Bolívia, Brasil e Iugoslávia.
Grupo 3: Peru, Romênia e Uruguai.
Grupo 4: Bélgica, Estados Unidos e Paraguai.
Regulamento: Os times se enfrentavam todos contra todos dentro do grupo e apenas o primeiro colocado passava a fase de semifinal.
Primeira Fase
Grupo 1:
França 4 x 1 México em 13 de Julho;
Argentina 1 x 0 França em 15 de Julho;
Chile 3 x 0 México em 16 de Julho;
Chile 1 x 0 França em 19 de Julho;
Argentina 6 x 3 México em 19 de Julho;
Argentina 3 x 1 Chile em 22 de Julho;
A Argentina venceu os três confrontos e passou para a fase semifinal, tendo como destaque o jogador Stabile, que em três jogos marcou 5 gols. O Chile ficou em segundo, com a França em terceiro e o México em quarto, sem vencer nenhum jogo.
Grupo 2:
Brasil 1 x 2 Iugoslávia em 14 de Julho;
Gols: Tirnanic 21 e Bek 31 do 1º (IUG); Preguinho 17 do 2º (BRA).
Brasil: Joel, Brilhante e Itália; Hermógenes, Fausto e Fernando; Poly, Nilo, Araken, Preguinho e Teophilo. Técnico: Píndaro de Carvalho
Iugoslávia: Jasksic, Ivkovic e Mihajlovic; Arseniijevic, Stefanovic e Djokic; Tirnanic, Marjanovic, Bek, Vujadinovic e Sekulic. Técnico:Bosko Siminovic
*A escalação é baseada na formação utilizada na época, algo como um 2-3-5. Formação “suicida” se formos comparar com o futebol de hoje em dia.
Iugoslávia 4 x 0 Bolívia em 17 de Julho;
Esse resultado eliminou a equipe brasileira, que apenas cumpriu tabela contra os bolivianos.
Brasil 4 x 0 Bolívia em 20 de Julho;
Gols: Preguinho 12 do 1º, Moderato 37 do 1º e 28 do 2º e Preguinho 38 do 2º (BRA).
Brasil: Veloso; Zé Luis e Itália; Hermógenes, Fausto e Fernando; Benedito, Russinho, Carvalho Leite, Preguinho e Moderato. Técnico: Píndaro de Carvalho.
Bolívia: Bermúdez; Durandal e Chavarria; Sainz, Lara e Balderrama; Ortiz, Bustamante, Méndez, Alborta e Fernández. Técnico: Saucedo
A Iugoslávia passou a fase semifinal com duas vitórias, o Brasil ficou em segundo e em último ficou a Bolívia com duas derrotas.
Grupo 3
Romênia 3 x 1 Peru em 14 de Julho;
Uruguai 1 x 0 Peru em 18 deJulho;
Inauguração do estádio Centenário, que ficou pronto cinco dias após o começo do Mundial. O primeiro gol do estádio foi marcado por Castro, aos 36 do 2º tempo. Uruguai 4 x 0 Romênia em 21 de Julho;
O Uruguai passou a fase de semifinal com duas vitórias, seguido de Romênia e Peru.
Grupo 4
EUA 3 x 0 Bélgica em 13 de Julho;
EUA 3 x 0 Paraguai em 17 de Julho;
Paraguai 1 x 0 Bélgica em 20 de Julho;
Os americanos passaram as semifinais com duas vitórias, com Paraguai ficando em segundo e Bélgica em último.
Semifinais
Argentina 6 x 1 EUA em 26 de Julho;
Gols: Monti 20 do 1º, Peucelle 11 do 2º, Stabile 24 do 2º, Peucelle 35 e 40 do 2º e Stabile 42 do 2º (ARG); Brown 43 do 2º (EUA).
Uruguai 6 x 1 Iugoslávia em 27 de Julho;
Gols: Sekulic 4 do 1º (IUG); Cea 18 do 1º, Anselmo 22 e 31 do 1º, Iriarte 16 do 2º e Cea 22 e 27 do 2º (URU).
Terceiro Lugar
Não houve disputa de terceiro lugar.
Final
Uruguai 4 x 2 Argentina em 30 de Julho;
Gols: Dorado 12 do 1° (URU), Peucelle 20 do 1° e Stabile 37 do 1° (ARG); Cea 12 do 2°, Iriarte 23 do 2° e Castro 44 do 2° (URU).
Local: Estádio Centenário, Montevidéu.
Juiz: Jan Langenus (BEL)
Público: 90 000 pagantes
Uruguai: Ballesteros, Nazassi e Mascheroni; Andrade, Fernandez e Gestido; Dorado, Scarone, Anselmo, Cea e Iriarte. Técnico: Alberto Suppici.
Argentina: Botasso; Della Torre e Paternoster; Juan Evaristo, Monti e Suarez; Peucelle, Varallo, Stábile, Manuel Ferreyra e Evaristo. Técnico: Francisco Olazar.
Ambos os times brigaram para decidir com que bola iriam jogar a grande final, com uma vinda da Argentina ou com a Uruguaia. O juiz decidiu jogar um tempo com cada uma. No primeiro tempo a bola usada foi a da Argentina, e o placar terminou 2 x 1 para os donos da bola. No segundo tempo, a bola foi a Uruguaia, e a celeste virou o jogo e fechou o placar em 4 x 2, se tornando o primeiro campeão mundial de futebol.
Curiosidades
- Foi à única copa que a superioridade não foi européia em número de participantes. América 9 x 4 Europa.
- Guillermo Stábile da Argentina, foi o grande goleador do torneio com 8 gols.
- Taça Jules Rimet: Primeiramente batizada de Taça do Mundo, passou a ser Jules Rimet a partir de 1950, ela foi criada pelo francês Abel Leufleur. Feita toda de ouro, ela representa uma mulher com asas, simbolizando a vitória e cujos braços erguiam sobre a cabeça uma copa de base octogonal. A posse definitiva ficaria com o país que conquistasse a copa por três vezes, o que aconteceu com o Brasil em 1970. Porém, em 1983 a taça foi roubada da cede da CBF, derretida e vendida. Coisas do Brasil!
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Grande abraço a todos!!!
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Oi amor
ResponderExcluirFicou muito bala a história da 1° copa,
bem na real eu não sabia de nada disso,
mas agora vou entender tudo sobre as copas.
Te amo lindo
Bjus
É muito legal conhecer a história do esporte, pois se confunde com a história contemporânea da humanidade.
ResponderExcluirParabens.
Bah parabéns ae cara. xD
ResponderExcluirBy:Vitor
Muito legal a história, para uma pessoa leiga em esportes como eu, vai ser bem legal saber um pouco mais. Parabéns !! Grande beijo.
ResponderExcluirPri
Parabéns, meu filho, com certeza as pessoas que participarem desse blog,vão conhecer muita coisa sobre esportes.Obrigada por dividir com a gente os teus conhecimentos nessa área.Um bjo meu filho, estou muito orgulhosa, pois sei que tenho um filho inteligente e muito altruísta.Bjos, t amo.Fica com Deus.
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